Hospital do Baixo Amazonas estimula o hábito da leitura entre pacientes

O Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, no oeste paraense, passou a disponibilizar um serviço especial aos acompanhantes e pacientes que realizam tratamento na unidade de saúde: o “Ensino, Cultura e Saúde”. O projeto foi lançado na quarta-feira, 31, e disponibiliza livros por meio de dois carrinhos – carinhosamente chamados de Lili e Gibi.

“O projeto é muito bom, eu gostei demais, é bem interessante. E até ajuda no tratamento, porque as pessoas esquecem um pouco os problemas. Eu tenho visto isso, tanto em crianças como em adultos”, diz Naate de Oliveira, que é moradora de Alenquer e acompanha a filha que passou por cirurgia no pulmão. Naate também revela que ficou “muito encantada com o tratamento do hospital”. “Como eu não conhecia, então tinha outra visão. Estamos sendo muito bem tratados, o local é limpo, organizado. Nos sentimos bem seguras”, complementou.

A dona de casa Geiziane da Silva, que acompanha o filho na luta contra uma infecção, ficou surpresa ao se deparar com o projeto. “Eu não imaginei que em um hospital público eu encontraria um projeto desse, tanto que é a primeira vez que eu vejo. Sempre quando vamos a um hospital, levamos livros e caça-palavras para passar o tempo, porque no hospital não tem nada. Só aqui que tem isso”, conta.

A primeira parte do projeto começou em novembro de 2015, com o início da campanha para arrecadação dos livros, durante o 8º Salão do Livro da Região do Baixo Amazonas. Até o momento, mais de 1.400 volumes foram doados. O hospital continua recebendo doações. Todos os tipos de obras são aceitos, excetos livros didáticos.

“O projeto surgiu da necessidade de levar mais qualidade de vida para nossos pacientes. Nós temos vários projetos, mas muitos comfoco nas crianças. Então pensamos em um que atenda a todos os pacientes, tanto a própria criança, quanto o jovem, adulto e os avôs e avós, tornando a estadia no hospital menos estressante, minimizando o momento de sofrimento, de espera, por meio da leitura”, explica a coordenadora do projeto e de Ensino e Pesquisa do HRBA, Claudiléia Galvão.

A segunda fase aconteceu em maio deste ano. O projeto iniciou em caráter experimental para que os ajustes de logística e controle de infecção pudessem ser efetuados. Estagiários de Pedagogia e Enfermagem participam do desenvolvimento, percorrendo as unidades de internação, efetuando os empréstimos e, depois, passando para recolher os livros. O “Ensino, Cultura e Saúde” funciona como uma biblioteca itinerante. “O projeto nos transmite uma felicidade e tanto, porque quando trazemos um livro para uma criança, isso é capaz de proporcionar um sorriso imenso em alguém que tem câncer, por exemplo, sendo que nós não damos valor à vida. Esse projeto nos faz pensar no que importa”, diz, emocionada, a estudante de Pedagogia Railane Natalice.

Todos os pacientes são atendidos, até mesmo os que não sabem ler. Nesses casos, os estudantes realizam a leitura da obra escolhida. A equipe também realiza a higienização de todos os livros utilizados. Além disso, são disponibilizas luvas e máscaras para que os usuários possam manusear as publicações. Para o diretor Geral do HRBA, Hebert Moreschi, o efeito disso no conjunto da assistência é fantástico e cientificamente comprovado. “Então, de uma ideia simples, temos um projeto grandioso, pioneiro e que, com certeza, vai marcar a história para todos nós”, assegurou.

O HRBA é referência em assistência médica de alta e média complexidades no Norte do Brasil, assim como no ensino e pesquisa. “É possível, além de promover a saúde e o ensino, promover a cultura. Por que não juntar isso tudo e ter como consequência a atenção humanizada ao nosso paciente? Quando se pensa no real bem-estar da pessoa assistida, não é só a assistência médica e multiprofissional da equipe diretamente envolvida, não é só cirurgia ou medicação. Temos que atender a todos os aspectos desse paciente”, finaliza Moreschi.

Fonte:Agência Pará